Texturas inspiradas em psicanálise, psicologia, arte, filosofia, educação e intimidades
quinta-feira, 31 de julho de 2025
Defesa de Mestrado em Psicologia (PPGP-UFPA)
É da Hilda Hilst a colocação: "é triste explicar um poema. E é inútil". Não posso negar que este aviso me acompanhou no estudo dos dez cantos-poemas da "Ode descontínua e remota para flauta e oboé. De Ariana para Dionísio"(1974). E a cada dificuldade, ou impasse que não pude transpor, essas palavras chegavam com a interdição: "é triste e inútil, então por que continuar?"
Porém, de novo (por repetição), na poesia reencontrei acalanto, na "grandeza do ínfimo" do "apanhador de desperdícios" nascido no Mato Grosso do Sul, "menino que carregava água na peneira" e disse:
"Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes...".
Tal que Manoel de Barros traz consolo e a direção de que é um desperdício dar sentido à licença poética de associar livremente pela escrita. Ao que Lacan recomenda não recuar mesmo se o inconsciente estiver a céu aberto.
Em frente, apostando que a poesia não quer dar ciência,mas implica em um saber, segui bem acompanhada das psicanalistas que me orientaram e coorientaram diante dos meus limites e ampliando horizontes.
Hilda de Almeida Prado Hilst (1930-2004) foi uma companheira inspiradora e generosa, cuja leitura e as releituras ensinaram sobre o respeito aos limites da alma da eu-lírica e seus personagens. Espero não ter alcançado mais do que uma possibilidade interpretativa de sua obra tão rica, que até foi musicada - por suas inúmeras qualidades inclusive rítmicas - por Zeca Baleiro e interpretada por vozes de mulheres como Angela Maria, Bethania, Mônica Salmaso e Zélia Duncan.
Espero ter demonstrado que não se desobedece uma orientação de poeta sob a pena de encontrar as "vozes veludosas vozes" dos fantasmas que assombram suas penas ao longo da escrita; além do descaminho escondido nas rimas que constroem os versos, como aponta Umberto Eco: quebrando a frase antes de terminar a linha; e faz reviver nos lapsos de entendimento os desencontros entre eu-lírico e seus amores, ditos e não-ditos.
Ao final desse percurso de escrita e investigação em psicanálise, espero ter ilustrado que também estive em franco trabalho de desejo.
*Defesa dessa dissertação foi em outubro de 2024.
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